terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Atenção respeitável público!


O espetáculo começa sempre atrás da coxia. Inspiração, concentração, aquecimento e uma prece. Tudo vale! As vezes a mão gela, as vezes a voz treme... Detalhes prévios em toda manifestação artística. Pinceladas de cores na face do ator, que ganham vida para que no palco flua uma interação capaz de arrancar susto, sorrisos e até lágrimas da plateia.

Porangatu respira arte o ano inteiro. Os moradores estão acostumados com encenações nas escolas, nas ruas, em praças e até em cima das árvores. Na verdade o local é o de menos. O que importa mesmo é a interpretação, o barulho, o lúdico. Ou seja, o teatro levando alegria para a alma do nortista goiano.

Na época do TENPO - Festival Nacional de Teatro de Porangatu, então é só festa! Aplausos e mais aplausos, uma verdadeira reverência dada aos atores que “aterrizam” na cidade durante o festival. Já marcaram presença artistas como Natália Thimberg, Adriana Brito, Helio Fróes, Ivan Lima, Antonio Nóbrega, Françoise Fourton, Hugo Rodas, Elisa Lucinda, Stepan Nercessian, Caio Blat, Grutti Fraga, Jorge de Carvalho, Valéria Braga, Rosi Campos, Claudia Bariori, Denise Stoklos, Guga e Dani Morales, entre tantos outros.

“É uma data tão esperada não só pelos artistas locais, mas por toda a população”, disse o ator Renato Izídio (Foto). Ele que também é morador de Porangatu e que descobriu a arte do teatro ainda no período escolar. “O teatro é visto por mim como algo mágico. É impossível falar em teatro na cidade e eu não estar, pois atualmente o teatro está presente o tempo todo em minha vida. Seja quando eu acordo ou quando vou me deitar. Hoje em dia respiro e vivo teatro.”

Renato Izídio disse ainda, que o reconhecimento do público o deixa muito feliz. “O riso de uma criança, o choro de um adulto que se emociona a cada cena que faço. Isto realmente, não tem dinheiro nenhum no mundo que pague”, emociona-se.

A paixão dos porangatuenses pelo teatro tem raízes profundas. Afinal, há mais de 20 anos a população encena a Via Sacra- Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. O espetáculo, que iniciou com uma apresentação no interior da Igreja Matriz Nossa Senhora da Piedade, ganhou as ruas e o profissionalismo. É encenado a céu aberto e em palco montado próximo a Lagoa Grande. O elenco do espetáculo foi formado no município e muitos pertencem ao grupo teatral Trem de Doido, e conta com populares como figurantes. A riqueza visual e cênica do espetáculo é um dos pontos altos da Via-Sacra.

A cidade do teatro recebe a partir de amanhã, dia 5, mais uma edição do Festival Nacional de Teatro de Porangatu. O evento segue até o dia 9 de dezembro repleto de espetáculos, oficinas, palestras e debates. Tomara que a população não esqueça de cobrar do Governo de Goiás um teatro digno da magnitude do evento. Até mesmo porque se fôssemos calcular as tantas locações das várias e várias tendas, inclusive, climatizadas.... Com certeza Porangatu teria hoje novos ares para o teatro. Só que esse assunto a gente discute em outra oportunidade.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Símbolo da mulher livre

Foto: Raquel Louiz
“Brigam Espanha e Holanda
Pelos direitos do mar

O mar é das gaivotas
Que nele sabem voar

O mar é das gaivotas
E de quem sabe navegar.

Brigam Espanha e Holanda
Pelos direitos do mar

Brigam Espanha e Holanda
Porque não sabem que o mar
É de quem o sabe amar”.
(Leila Diniz)


Hoje a mulher brasileira é “livre”. Pelo menos possui a liberdade de ir e vir. Como ir a clubes, praias e cachoeiras do jeito que bem entender. Usar biquíni se tornou normalíssimo, não é mesmo? Essa atitude, na década de 1970 não era bem vista. Na época, Leila Diniz, grávida de 8 meses resolveu expor a barriga e se deixou ser fotografada. Ato de coragem, que a fez ficar eternizada. Posar para uma foto de biquíni? Para mim que nasci na década de 1980 e para tantas outras mulheres parece até não ter tanta relevância assim. Mas, ao assistir o filme “Leila para sempre Diniz” direção de Mariza Leão e Sergio Rezende percebi com nitidez, o quanto essa atriz revolucionou o mundo feminino brasileiro.

Leila Diniz ficou conhecida como a mulher defensora do amor livre e do prazer sexual. Em uma de suas frases disse: “você pode muito amar uma pessoa e ir para a cama com outra!” Com sua força rompeu conceitos e tabus então existentes. Nascida em Niterói no ano de 1945, muito jovem formou-se no magistério e foi ser professora primária num subúrbio carioca.

Antes de ingressar no cinema, Leila já tinha feito teatro e telenovelas. Casou 2 vezes, primeiro com o cineasta Domingos de Oliveira e depois com Ruy Guerra. Sempre foi considerada ousada. Além de ter sido criticada, difamada...

Leila foi mesmo um furacão! Sua trajetória pela vida foi bastante curta. Ela morreu num desastre aéreo no dia 14 de junho de 1972, quando voltava de uma viagem a Austrália aos 27 anos de idade, deixando uma filhinha de nome Janaina, que foi criada pelo casal Chico Buarque de Holanda e Marieta Severo seus maiores amigos.

Janaína está grávida. Por orientação médica não pode vir a Goiânia receber o troféu Icumam, na abertura do Goiânia Mostra Curtas. Porém, a irmã de Leila Diniz veio representando a família. Durante a exibição do curta, “Leila para sempre Diniz” vi a irmã na plateia do Teatro Goiânia enxugando as lágrimas que insistiam em cair.A cena me fez fazer certas reflexões.... A principal delas: como a família deve ter sofrido preconceitos. Quer dizer a própria Leila Diniz, como ela deve ter sofrido na pele o machismo exacerbado de décadas atrás. Hoje, fica não só a homenagem. Muito mais, fica a lembrança do símbolo da mulher livre.



segunda-feira, 2 de julho de 2012

“Adoraria ser repórter de guerra”

Valteno de Oliveira

O fazer jornalismo é repleto de escolhas. Escolha do veículo no qual deseja trabalhar, da editoria que pretende escrever e claro, das fontes no ato da reportagem. Escolher o estilo e o seguimento do jornalismo demanda um pouco mais de tempo. No meu caso, o literário foi o que mais me encantou. Fiz especialização em Jornalismo Literário pela ABJL e hoje acho que de fato é o que mais se parece comigo, ou melhor, eu me pareço mais com esse modo de reportar: imergir, sentir, contar com descrições, cheiros e acima de tudo experimentar um jornalismo “romance” cheio de vida real. 

Bem, não vim aqui para falar de JL – Jornalismo Literário e sim de Jornalismo Investigativo. Este que tem por missão desvendar mistérios e fatos ocultos do conhecimento público. Muito difundido por tornar notícias crimes e casos de corrupção. “Jornalismo investigativo num ambiente de escândalos” foi tema de debate no Intermídias – 2º Congresso e Feira Internacional de Comunicação, Informação e Marketing, em Goiânia-GO.

A referência do assunto no evento foi Valteno de Oliveira, repórter investigativo da TV Band nacional (Jornal da Band). Ele é um dos jornalistas que mais conhece os bastidores da política no Brasil. Esta que é uma das áreas mais espinhosas do jornalismo mundial. 

“Eu gosto do furo. Gosto de estar no meio do perigo. Adoraria ser repórter de guerra”, disse com entusiasmo e brilho nos olhos. Quando perguntei o que mais o atrai neste tipo de jornalismo. Ele pensou, pensou... Buscou palavras para explicar algo que nem sabe explicar direito. Para ele não é só a adrenalina. O que faz seguir firme em busca de mais descobertas é sua sina de desmascarar políticos. 

Alguém perguntou: Você tem medo? Valteno de Oliveira foi categórico respondendo que não. Só que completou com um conselho clássico: “tem os vários lados na notícia. Você tem que ter o cuidado de dizer que foi a polícia que disse e não você. Porque no fundo é essa questão que vai levar você ser processado ou não”. Como também ter outras consequências, claro!

No jornalismo investigativo as fontes são muito importantes. Não necessariamente precisa ser uma pessoa, mas também podem ser as informações públicas, os relatórios públicos, entre outros. Essas fontes podem também ser oficiais, regulares, ocasionais ou acidentais, documentação originais e secundárias, arquivos oficiais e privados. O repórter jamais pode desprezar qualquer tipo de fonte, principalmente no jornalismo investigativo. E não somente desprezar como também conservar essas fontes.

De acordo com Valteno de Oliveira é muito bom ter fonte que não seja oficial.  “Vou ser sempre um defensor da liberdade de expressão, da mídia. E, também da segurança das fontes”. Já sobre o dia a dia das redações em uma televisão disse que basicamente, 90% é transpiração e 10% inspiração. “Jornalismo não é arte e sim trabalho em grupo”, complementou. 

Aprendi lições com um colega de profissão que optou seguir um caminho cheio de perigos. Não que o meu não tenha. Ou o de qualquer outro jornalista. Só que se inserir nesse universo de corrupções, escutas telefônicas, Cachoeira, Demóstenes Torres... Ufa! Não deve ser nada fácil. Valteno, cidadão, amante do jornalismo. Hoje te admiro, mais que ontem. E, torço para que você realize seu sonho: ser correspondente de guerra. Sair de uma e ir para outra.


domingo, 1 de julho de 2012

Como obter sucesso nas redes sociais?


Ter sucesso é obter êxito, bons resultados no que se faz. Mas, será apenas isso? Posso ter um bom resultado em qualquer coisa que me dispuser a fazer desde que me dedique a ela, independente de aquilo ser importante para mim ou não. Sob o meu ponto de vista, não há sucesso completo se não houver prazer na realização.

O sucesso nas redes sociais foi ponto de discussão durante o INTERMÍDIAS – 2º Congresso e Feira Internacional de Comunicação, Informação e Marketing.  No seminário participaram profissionais que atuam no estado de Goiás em várias frentes da comunicação. O comum entre Luiz Gama, Ademir Lima, Josiane Coutinho, Jorge Lima e Áutus Rincón são os vários seguidores que eles possuem no twitter e os vários amigos no facebook.

A jovem Josiane Coutinho, estudante de jornalismo, que tem 2.109 seguidores no twitter disse que ficou cerca de um mês conhecendo a rede social até tomar gosto e colocar para fora suas ironias e sarcasmos. “Eu já tive imagem de palhaçinha. Por isso, digo que não podemos ser o extremo. Nem sério demais e nem brincalhão demais”.  

Josiane Coutinho ainda disse que agradece a popularidade que obteve do twitter. Fama esta, comprovada em quatro propostas de emprego que recebeu no ano de 2010. Só que como tudo na vida tem o lado bom e o lado ruim. Ela faz um alerta a todos os twitteiros de plantão. “Rede social é algo que temos que ter muito cuidado. Você pode até achar que não, mas as pessoas estão de olho no que você escreve”.

Segundo o jornalista Áutus Rincón para ter seguidores no twitter é preciso ser claro já na apresentação. “Diga quem você é. O que faz. E, quais são os seus interesses”.  Além disso, ele dá outras dicas como: ser objetivo e prático. É bom procurar publicar sempre coisas interessantes. “Ataques pessoais nunca! Ninguém gosta”, complementou.

Viver conectado. Postar ideias, fotos.... Compartilhar. Curtir. Tudo isso já faz parte do nosso dia a dia.  De acordo com o relações públicas Jorge Lima as pessoas ligam o número de seguidores com o sucesso. Quanto mais seguidores, maior é o sucesso. “Antes de procurar uma fórmula, o ideal é procurar um caminho simples: ser você mesmo”.

Pronto. Vou ali conferir as novas atualizações no meu face e no meu twitter.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

A atual propaganda política no mundo é tema do Intermídias 2012

O 2° Congresso e Feira Internacional de Comunicação, Informação e Marketing (INTERMÍDIAS) realizou diversas atividades nos dias 28 e 29 de junho, no Centro de Eventos da UFG. O evento tem por objetivo oportunizar, nos diversos segmentos da comunicação, uma integração entre o universo acadêmico com o mercado de trabalho.

Pelo espaço circulam acadêmicos de cursos como: publicidade, jornalismo, relações públicas e biblioteconomia; como também profissionais inseridos nas mais distintas mídias. Cada um buscando o que de fato acredita ser mais interessante. No meu caso fui atrás de novas mídias: redes sociais.

A palestra do catedrático emérito da Universitat Autònoma de Barcelona, Mario Herreros Arconada foi uma volta ao passado com os pés fincados no chão. Ele, que também é considerado uma das maiores referencias europeias em propaganda política e autor de dois best-sellers – Teoria e Técnica de Propaganda Eleitoral e Fundamentos da Comunicação Publicitária, mesmo com a ajuda de um tradutor deixou evidente sua simpatia.

Mario Herreros Arconada afirmou que estamos vivenciando uma época em que a informação se dá em tempo real. Onde a publicidade e a internet abrem um novo horizonte para sua atividade. Ainda mais com as redes sociais, onde os usuários buscam contactar outras pessoas na busca de compartilhar conhecimentos. “É claro que eles não buscam publicidade. Mas, se ao final a mensagem chegar como planejado pelo profissional de comunicação. Isso significa que a persuasão funcionou”, concluiu.

O começo das mídias sociais nas eleições se deu na campanha a governo de Barack Obama, nos Estados Unidos. Passados cinco anos, as redes sociais entraram por completo nas campanhas eleitorais dos políticos. Mario Herreros Arconada fez um alerta de que o uso das redes em campanhas eleitorais não significa que esses candidatos ganhem. Afinal, é preciso planejar.

sábado, 14 de abril de 2012

A doce Dulce


Hummmmm! Nunca imaginei saborear uma trufa de chocolate tão recheada de histórias. Por trás deste popular doce que adquiri pelo valor de R$ 2,00 degustei também grandes lições.

Professora aposentada de fala fácil. De mesa em mesa ia ela se desfazendo das trufas. Em algumas ainda cantarolava: “Que beijinho doce...” A eficiência é tanta que quando resolvi comprar a minha só restava outras duas.

Ela chegou de mansinho. Sorridente perguntou-me se queria uma trufa. De fato não queria. Mas, não resisti tanto encanto. A empatia com Dona Dulce foi imediata. Conversamos sobre tantas coisas. Dentre elas: vida, superação e fé.

Vendedora de trufas alegre? Uma raridade! Por isso, quis adquirir sua confiança. Perguntei-lhe se gostava de chocolate. “Demais menina. Lá nos EUA pegava caixas de chocolates da minha filha e escondia debaixo da minha cama. Nem sentia remorso, pois ela dava só uma mordidinha neles e largava pra lá.”

Dulce é casada e “alforriada”, como mesma diz. O marido a pediu para fazer tudo que tem vontade. A tal liberdade veio após a descoberta de um câncer na mama direita. Ela segue tratamento com quimioterapia. O médico indicou procurar um psicológico para lidar melhor com a doença. “Não quero sentar no divã. Quero sair, ver gente. Ajudar pessoas”.

As trufas são feitas pela empregada de Dona Dulce. “Quando chego com o dinheiro e a entrego. Fico feliz só de ver a alegria dela”. Esta foi a fórmula que esta doce mulher encontrou para superar a dor.

terça-feira, 6 de março de 2012

Vida X Morte


Dia após dia lutamos para sobreviver. A mãe que trabalha redobrado para sustentar os filhos. O velho que vende picolés, mesmo em dias de sol a pino. A cada ano, mês, minuto, segundo: pensamos na vida.

A morte deixa para depois. Engraçado isso! Até parece que a desconhecemos. Ou que ela não faz parte do nosso trajeto. Sabemos que ela é natural. Mas, não queremos encará-la.

Só que de repente ela atravessa no nosso caminho. Talvez materializada em uma colisão frontal entre dois carros. Ou, em um vício consumido anos a fio. Quando ela chega não estamos preparados. Muito menos nossos entes queridos.

A imagem de um paciente terminal é de pura fragilidade. O olhar muitas vezes distante encontra-se com os de profissionais que o chamam. “Muitos entram em depressão. Querem se entregar a morte. A minha responsabilidade é chamá-los para a vida” diz de forma amável a psicóloga hospitalar Ana Paula.

Ter a experiência que tive de ver um parente em uma UTI – Unidade de Terapia Intensiva- é algo angustiante. A sensação é de estar de mãos atadas. Meu primo Rivailton, querido, inerte, inchado, intubado, enfim. Na época contive as lágrimas e rezei. Dias tortuosos; a cada novo telefonema o coração disparava. Morreu? Não! A fé o reanimou, o motivou e por fim o levantou. Hoje ele é casado, pai de dois filhos e segue sua vida normalmente. Claro com outros conceitos. O principal: cuidar da sua saúde espiritual.

A experiência de quase morte muda as pessoas. Só que não precisamos esperar vivenciar situações parecidas. Ou mesmo receber o laudo médico de que a pessoa amada se foi para mudar as nossas atitudes. A oportunidade que tive adentrando o Hospital de Urgências de Goiânia me fez refletir sobre essas questões. Vi um misto de desespero estampado nos rostos; alguns transfigurados, outros tristonhos... A dor de perder. Ou o sorriso guardado no peito. É um ir e vir. É vida. É morte.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Amor

Amo o seu jeito de amar
Amo o seu toque e o seu paladar
É incrível sentir a evolução desde o primeiro olhar
Por isso, certa e sensata digo: amo-te!

Confesso que antes não era assim
Já pensei em desistir
Até partir para não mais te ver
Na realidade queria fugir do que me desequilibrava

Até descobrir que para obter luz é preciso percorrer a escuridão
Para ser calmo é necessário passar por revoltas
Errar para acertar
E, respeitar!

Se o tempo me levar você
Ele me trará de volta um outro amor.