segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Somos palhaços


As pessoas andam cada vez mais sérias. Não é preciso nem dar a volta no quarteirão da sua casa para perceber que ser compenetrado é uma característica bem quista nos dias de hoje. Mais sem graça é descobrir que eu também sou assim (hehehe). Normalmente não conseguimos rir de nós mesmos. Até parece que a vida se resume em compromissos, responsabilidades e encontros marcados de frieza e seriedade.
Sábado pela manhã chego ao Centro Cultural Oscar Niemeyer em Goiânia para uma oficina intensiva de “escrita para humor”, uma organização do Verus GladiAtores um projeto da própria casa. Tudo pronto e os professores: Clegis de Assis e Marcelo Marques dão o início, quando eu totalmente sem graça e sem entender o porquê que teria que ficar descalço vou logo afirmando que a oficina que gostaria de fazer era a de escrita. Eles receptivos e sorridentes: “a oficina é essa! Quer dizer esta é de humor físico”.

Primeira dinâmica, quem errasse teria que imitar uma barata; detalhe: barriga para cima e batendo perninhas e “asinhas”... Em uma roda típica de atores e estudantes de teatro. Quem errou? Sim! Euzinha aqui me transformei de cara em uma barata daquelas bem desengonçadas. Que sensação! Lembrei-me da obra de Franz Kafka “A Metamorfose”. Enfim... sorri muito de mim mesma!

“Todos nós somos palhaços. Todos nós somos ridículos” disse o professor Marcelo Marques. Só que em uma sociedade hipócrita como a nossa quem quer ser palhaço? No nosso íntimo queremos é rir da desgraça dos outros. Sorrir quando a pessoa que está do nosso lado cai. Muitas vezes nem estendemos a mão. Afinal, a queda não foi nossa mesmo! Precisamos quebrar a inútil máscara e sorrir de nós mesmos. Ou melhor, deixar que sorriam da gente. É bom ser palhaço!

Aprendi técnicas de como levar um tropeção e da queda trazer sorrisos. Reaprendi dar cambalhotas, plantar bananeiras... coisas que deixei na minha infância. Agora entendo porque as crianças são tão felizes, o palhaço é o ídolo maior do mundo imaginário que cerca a garotada. Nos bastidores do teatro muitos adultos tratam o ator que interpretada o palhaço com desdém. “Eu não gosto quando falam do palhaço de forma pejorativa. Pois eu não sou um simples palhaço. Eu sou um palhaço e tanto”, Marcelo Marques me diz isso de boca cheia enquanto amarra o cadarço do tênis.

Durante a oficina “Humor Físico” a dinâmica do chapéu foi extremamente instigante e reflexiva. Um dos participantes deveria levantar e convidar um colega para juntos, sem nenhuma combinação prévia atravessar para o outro lado em busca do chapéu (novo elemento). “Lembrem-se que o chapéu é o fim. O mais importante é o meio”! Afirmava volta e meia Marcelo Marques.

Bruna Souza Martins (foto) e o colega deram um show de interpretação. Com gestos simples e objetivos passearam, brincaram. Nós que assistíamos até esquecemos por alguns instantes que existia chapéu. “Acho que o mais importante foi não se preocupar com o que estava ao redor (pessoas) e não ter medo do ridículo” afirmou a jovem de 16 anos. Ainda sobre a atividade, ela disse que a favoreceu muito em um bloqueio que ela possui que é a temida e devastadora timidez. Estudante de teatro há um ano diz convicta que quer seguir carreira na área.

O projeto “Verus GladiAtores” foi idealizado pelo teatrólogo Alan Foster e existe há um ano e meio, com trabalhos na área da pesquisa, da disseminação e da montagem de espetáculos teatrais. Tem a pretensão de ser um Centro de desenvolvimento artístico dentro do Centro Cultural Oscar Niemeyer. Um espaço quase que desabitado por jovens cheio de energias e sonhadores como a Bruna, prontos para serem lapidados.