sábado, 26 de outubro de 2013

Três sabonetes e nada mais


Relacionar: dar ou fazer relação! Essa ação escrita no dicionário e tão presente no cotidiano de todos se torna árdua quando se trata de um homem e uma mulher, uma mulher e uma mulher ou um homem e um homem. Brincadeiras a parte. O que proponho aqui é conversar um pouco sobre os relacionamentos amorosos da era do nada sério. Pegação! Ficação! Ato ou efeito de valorizar as coisas rasas da vida. E, o pior é que nesse jogo de sedução barata o amor está banalizado, como se esse sentimento comparado ao jiló, a jaca ou ao quiabo pudesse ser encontrado em qualquer quitanda, feira ou supermercado.
Ana Beatriz conheceu João Henrique e foi arrebatador. Olhares, sorrisos, beijos, tesão, sexo selvagem.... No momento: juras de amor. Êpa!? Tão rápido assim? Na hora, Ana assustou e até disse:
- Fala isso agora. Quero ver depois!?
- Vou te provar que estou sendo sincero! (retrucava João)
O rola e enrola durou pouco menos de um mês. Ana Beatriz adentra o banheiro, este que foi testemunha de muitos gemidos e juras de amor, olha seu reflexo no espelho e logo repara a saboneteira. Lá, está o sabonete preferido com cheiro de morango. Lágrimas correm. Pois, o relacionamento dela com João Henrique durou o tempo equivalente a dois sabonetes gastos.
Esse namoro relâmpago, se é que posso chamar de namoro tem sido a marca dos nossos dias. As pessoas só querem sexo, dar e receber orgasmos e nada mais. Troca de compromissos? Ficam para os contos, os já firmados e os amantes que acreditam no amor. Refiro-me a amor na completude da palavra. Ao companheirismo, a entrega, a confiança, a alianças...
Quando Ana Beatriz já tinha superado a dor e a desilusão dos dois sabonetes. Chega João Henrique arrependido. Novamente fazendo juras e afirmando que ela é a mulher da vida dele. Explica o sumiço:
- Tá difícil para mim.
- Como assim?!
- É que ando com problemas espirituais.
Humm... Ela caiu como uma patinha na história. Preocupada, ainda fez orações, afinal o super-homem estava fragilizado. Novos olhares, novos sorrisos, tesão duplicado e, claro, expectativas, após o sexo selvagem. O rola e enrola durou quase duas semanas e mais um sabonete. As juras de amor do João eram até conseguir o que queria. Ela nem pressionava mais e ele sempre na defensiva:
-Ainda é cedo. Vamos com calma, pois o santo é de barro.
Resultado: ela triste. Ele sabe se lá como! Que ironia do destino na vida dessa mulher e de tantas outras. E, vice versa. Minha gente os relacionamentos amorosos estão fragilizados. Muitos se transformaram em farpas. Você já imagina o fim dessa história. Então, sem mais delongas:
- Você não quer namorar comigo, né? (ela perguntou tristonha)
- Ainda estou pensando sobre isso. (ele convicto)
No íntimo ela já sabia. Intuição de mulher é forte. Por isso, em um fim de tarde, Ana Beatriz olha o horizonte, toma fôlego e enfim, manda um SMS. “Foi ótimo te conhecer. E, se você ainda continua indeciso e pensando se me namora ou não. Continue com seus pensamentos, pois eu escolho seguir o meu caminho. Seja feliz!” E, o João Henrique será que ainda está com os problemas espirituais?