segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O samba mora na Vila Nova


Sou grata ao samba. Pois, ele é axé, sorriso e suor. Quando o ritmo ecoa é festa entre iguais num mesmo barracão. Sinergia capaz de elevar a alma de qualquer vivaz. Quem disse que tudo isso só existe no Rio de Janeiro? O Mercado da Vila Nova - setor tradicional de Goiânia-GO - é puro samba, o ano todo!

Então; cresci em meio a folia de fevereiro. Pequenina me deram a fantasia de princesa, para um desfile de salão. Já adolescente, quis me vestir de mim mesma e deleitar no carnaval de rua de Porangatu (melhor de Goiás na década de 1990). Nessa cidade que cresci, acompanhei por anos o festejo da alegria irradiada por meio da junção entre nativos e turistas. Quase uma carnavalesca estava há dois anos sem dar o ar da graça: no salão, trio elétrico ou avenidas.

Sábado de carnaval no Mercado da Vila Nova, entro novamente neste universo e meus olhos borbulham de curiosidade. Gente da gente passando ao redor. Crianças serelepes indo ao encontro dos pais. Senhorinhas sambando na cara da sociedade e cadeirantes pulando de satisfação. Artistas no palco em meio a mais de 20 instrumentistas com: pandeiro, reco-reco, xequerê e tantos outros. O coração pulsava e ali me realizava, simplesmente, por compartilhar com a multidão e os pares a festa que é viver.

A presidente da Associação do Samba e também parceira do projeto “Arte e Movimento”, Luzeni dos Santos diz que fica impressionada como tudo dá certo naquele espaço de convivência (mercado da Vila) e como a energia é boa. “Depois do evento ainda paira no ar uma alegria que é contagiante e uma esperança de que estamos no caminho certo de ser um elo integrador para a disseminação do samba“, complementa.

Associação

Surgiu de um papo entre amigos a ideia de levar o samba para as pessoas. A união entre músicos profissionais e outros com uma vontade enorme de burilar algum instrumento. Gente, como “João“ que mora na Vila União e que anda léguas para tirar sons do sua timba. Gente que a priori seria escarnecida de incapaz e que dá um show de batidas ritmadas e sorrisos entusiasmados. Isso é mágico!

Em maio de 2014, foi elaborada a proposta de estatuto para a associação. “Éramos dez músicos e alguns associados. Todos pagavam uma mensalidade de dez reais para custear as despesas... como não tínhamos um sistema de cobrança suspendemos as mensalidades, temporariamente. Hoje a associação tem 25 músicos, entre profissionais, aprendizes e associados” diz Luzeni.

O carnaval no Mercado da Vila começou em 2015, com o projeto Arte e Movimento, sob a coordenação do historiador e músico Fernando Viana, que depois, chamou a Associação para ser parceira. Enfrentadas as dificuldades da falta de estrutura e apoios, a perspectiva é de que os desafios diminuam via maior aceitabilidade do público. Mas, isso é questão de tempo até mesmo porque o espaço do samba já nasceu democrático. Lá é possível ver pessoas famosas ligadas a música goiana no mesmo caldeirão de paz e harmonia com outras pessoas tão simples, mas tão cheias de amor no coração e de samba no pé.

“Não deixe o samba morrer
Não deixe o samba acabar
O morro foi feito de samba
De samba pra gente sambar... “
(Aloísio Silva e Edson Gomes da Conceição)



domingo, 7 de fevereiro de 2016

Carnaval muito além de confetes e serpentinas


Pelas ruas de Goiânia, as pessoas andam cada vez mais apressadas e, infelizmente, muitas até esquecendo-se de apreciar o canto dos pássaros ou o crepúsculo, que brota nas janelas. A arte é tão rica de surpresas; que é capaz de quebrar rotinas, tristezas e sistematizações. POR ACASO é o sentir, o tocar e o ouvir dentro e para a cidade. É junção de raças e cores. É alegria! E, no carnaval é também confetes, serpentinas, purpurinas e o abraço acalentador capaz de romper barreiras e preconceitos.

Quem esteve presente na intervenção cultural realizada pela Casa Corpo, Por Quá? Vida Seca e LaBamba Sonorizações, no dia 6 de fevereiro, no CEPAL do Setor Sul pode ver velhinhos e crianças sorridentes, jovens descolados e moradores de rua vivenciando a arte. O evento foi à prova viva que bailarino e músico não estão em nenhum patamar elevado. Eles também fazem parte do público. Como a platéia pode se tornar parte de uma cena artística.

O ator baiano Jarbas Trindade, mora em Goiânia há 4 anos e pela primeira vez participou de uma tarde de improviso do POR ACASO. Ele disse que nunca tinha sentido uma energia, capaz de levá-lo para outro mundo como a que sentiu quando dançou. “Eu estava sentadinho ali, já me aquecendo e esperava um olhar. Pois, o ator chama o outro pelo olhar e aquela bailarina me tocou pelo olhar e isso me instigou. O convite foi certo, na hora certa e eu senti a energia que ela estava passando pra mim.”

O POR ACASO – tardes de improviso “Temporão” além de danças teve muita música boa! As batidas e sons típicos do carnaval com ousadia e experimentação. O trompetista, Jeferson Rocha, disse que vive de fazer música contemporânea. “O grupo se expressa através do mundo. A reciclagem vira música. O Vida Seca é reciclagem em si”, complementou.

Para a organização; ver as pessoas alegres e dançantes é a finalidade do projeto. “Afinal, esse tipo de intervenção é para mostrar que festa na rua é acessível. É uma festa da paz. A gente quer deixar as ruas livres para as pessoas que querem se divertir”, disse o produtor e dançarino Hilton Júnior.