terça-feira, 19 de julho de 2011

O cavalo é especial para muitos da APAE


O brilho no olhar e a alegria no semblante do garoto Thiago deixa evidente a satisfação que ele tem quando está em cima do cavalo. Quem o vê com essa auto-estima tão elevada, percebe que ali do alto do seu imaginário ele até esquece os momentos que pessoas preconceituosas o nivelaram para baixo. Thiago nos dá uma lição: de que somos todos iguais, independente das diferenças.
Thiago faz a equoterapia uma vez por semana. Acompanhado da fisioterapeuta e da pedagoga faz um tratamento complementar de apoio a reabilitação física e mental. “Eu já acostumei com o animal. Gosto muito de andar de cavalo”, disse Thiago Siqueira Pereira.

O garoto de 7 anos faz equoterapia desde o início do projeto, dia 9 de agosto de 2010. Segundo a fisioterapeuta, Rosemeire Trevisan, ele melhorou muito o equilíbrio e principalmente a coordenação motora.

Ao andar, o cavalo faz com que a pessoa que o monta execute, mesmo que involuntariamente, movimentos tridimensionais horizontais (direita, esquerda, frente e trás) e verticais (para cima e para baixo). Após 30 minutos de exercício, o paciente terá executado de 1.800 a 2.200 deslocamentos, que atuam diretamente sobre o seu sistema nervoso central, aquele responsável pelas noções de equilíbrio, distância e lateralidade. Ou seja, o simples andar do animal faz dele uma máquina terapêutica capaz de garantir ao deficiente uma capacidade motora que não possuía e, assim, restituir-lhe, pelo menos em parte, as funções atrofiadas pelo comportamento físico, sem é claro esquecer o prazer que o contato com o cavalo proporciona à pessoa portadora de deficiência, tornando a terapia interessante e motivadora.

Além do Thiago são mais 39 pessoas atendidas pela APAE, no projeto de equoterapia. Os pacientes têm apresentado tantas melhoras que surpreendeu até mesmo a fisioterapeuta. “Eu trabalho há 18 anos com fisioterapia e tenho conhecimento de vários métodos diferentes e essa terapia me surpreendeu muito. A gente conseguiu resultados rápidos com esses alunos”.

O primeiro passo da terapia é a aproximação do aluno com o animal, para que seja adquirida a confiança. Para que assim possam ser desenvolvidos outros trabalhos como a alfabetização. Durante a equitação, o pedagogo aproveita que os alunos estão com a atenção redobrada e ensina novas lições.

Segundo a pedagoga Nilva Batista Ribeiro Silva é trabalhado o alfabeto, as cores, a lateralidade, a leitura, a linguagem, a identificação dos sinais de trânsito. “Eles não sentem forçados a fazer as atividades, por isso fazem tudo com prazer. Não sentem que estão sendo alfabetizados e que estão estudando”.

A pedagoga disse ainda que se sente realizada com o trabalho desenvolvido na APAE. “É muito gratificante. Pois aqui a gente vê o resultado do trabalho da gente. O melhor salário que a gente recebe é a satisfação do nosso cliente, pois o nosso aluno é o nosso cliente. E, a maior recompensa é ver o resultado positivo”, complementou.

O projeto
A equoterapia é um sonho antigo da APAI, que se tornou realidade graças à parceria da Fundação Itaú na implantação do projeto. Hoje a fisioterapeuta, os professores e os guias que levam os cavalos são pagos pela prefeitura municipal e pelo estado. O apoio para as despesas com os veterinários e a alimentação dos animais é dado pelos pais dos alunos.

Segundo a diretora da APAE Angela Maria Alves Oliveira Carvalho a fila de espera de pessoas com a necessidade de fazer a terapia é enorme. Mas, infelizmente hoje é totalmente inviável pela falta de verba. “Nós poderíamos estar atendendo o dobro de pessoas, mas com esse sol não tem jeito. É muito quente. Nós queremos cobrir a quadra de areia e a partir do momento que conseguirmos isso, poderemos atender o dobro de pessoas.”

A diretora da APAE disse ainda que a entidade está de braços abertos para receber contribuições. “Nós estamos com as portas e com as janelas todas escancaradas para receber a população”, complementou.

História

Os benefícios da interação entre o homem e o cavalo é algo antigo. Já em 377 A.C. Hipócrates, o chamado Pai da Medicina, conceituava a equitação como meio de regeneração da saúde.

No Ocidente moderno, esse tratamento tornou-se importante na recuperação física e psicológica de mutilados da 2ª Guerra Mundial. Em 1952, a dinamarquesa Liz Hartel conquistou a medalha de prata em adestramento nas Olimpíadas de Helsinki, superando as sequelas da poliomielite que contraíra quando criança. A partir daí, surgiram os primeiros centros na Europa e nos Estados Unidos.

Atualmente, o tratamento equoterápico é bastante difundido, contando com mais de cem centros de estudos nos países desenvolvidos, o maior deles é na Itália. A Federação Internacional de Equoterapia, com sede na Inglaterra, conta com mais de trinta filiados.