segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A marca da superação



A jovem engenheira civil, Cristiane Borges Moreschi, descobriu estar com câncer de mama no auge da sua carreira. Na época ela morava em Brasília-DF e tinha 35 anos. A mineirinha estava estonteante com a reforma do Palácio do Planalto. A rotina puxada no canteiro de obras começava sempre às seis da manhã e ia até 23h. Mergulhada nos projetos ia paulatinamente esquecendo-se dela própria. Dormia pouco. Não bebia água. Não comia direito. Stress e mais stress...

A vida profissional ia bem. Mas, o corpo sucumbia. Até que numa noite veio o sinal de alerta. Do autoexame veio o sinal de um caroço na mama direita. Achou estranho, porém acabou deixando para lá. Afinal, o corre-corre nas obras era prioritário. No mês seguinte, percebeu novamente o caroço. Não dava mais para protelar, o grito de socorro vinha de suas entranhas.

Ginecologista. Exame de ultrassom. Mastologista. Cris, aflita junto ao especialista e em meio à punção – retirada de uma célula, para análise. No dia do resultado do exame estava amparada pela irmã. Curiosa abriu o exame e lá, com todas as sílabas, vogais e consoantes estava escrito: maligno. O chão não existia mais. Na mente da Cris latejava outra palavra: morte. Por isso, inundou os ombros da irmã e em soluços:

- Maninha escuta o que o médico vai dizer, pois a sensação é que nem estou aqui.

- Mas, eu estou! Serei seus ouvidos.

Elas adentraram o consultório e o médico deu o já esperado diagnóstico:

- É câncer. Teremos que retirar toda a mama direita.

A notícia ficou latejando. Quando chegou a sua casa, Cris foi para o banheiro e durante o banho se derramou em lágrimas. Mas, algo forte dentro dela brotou naquele exato instante e ela cantarolou: “E, mesmo quando eu chorar. As minhas lágrimas serão para regar a minha fé e consolar meu coração. Pois, o que chora aos pés da cruz. Clamando em nome de Jesus. Alcançará de ti senhor: misericórdia, graça e luz”.

A partir daí começou a sua luta contra o câncer. Foi em outro mastologista, que afirmou não ser necessário retirar toda a mama. “Nessas horas a única coisa que vem em mente é o medo de ter que ficar mutilada”. Já na mesa de cirurgia ela viveu tortuosos minutos de apreensão. O nódulo foi retirado e a biopsia feita. “Tiraram um quadrante da minha mama direita, assim os médicos disseram. Mas, para mim toda vez que olho eu tenho a certeza, de que é a marca de Deus”.

Após a cirurgia. Cris continuou a lutar contra o câncer de mama. Foram oito sessões de quimioterapia e 30 de radioterapia. “Sempre que ia fazer quimio, os meus pais que moram em Uberlândia-MG vinham para me dar apoio”. Como ela não podia ficar desempregada fazia a sessão em um dia e no outro ia trabalhar. No serviço recebia o apoio de diretores e dos colegas de trabalho, para continuar firme na batalha pela cura.

“Uma amiga minha doou o cabelo dela e aí mandei fazer uma peruca. Só que quando olhei no espelho, não me reconheci”. Por isso, Cristiane achou melhor comprar lenços. Ela se recorda da moça da loja ensinando como colocar um deles. “E, concordo com ela fiquei bem mais moderna!”, complementa. Alegremente ela ia dando normalidade a sua vida. Até obter a cura e perceber que hoje é uma mulher totalmente transformada, graças ao câncer que teve.

“A Cris, de antes trabalhava dia e noite. Era estressada. Hoje tenho qualidade de vida. Trabalho, mas tenho prazer e não pressão. Tenho de fato outra vida. Faço pilates, musculação, ou seja, cuido mais do meu corpo. E, viajo sempre quando posso”. Das lágrimas transpostas em sorrisos, ela crê que não existe um porque e sim um para quê. Por traz dessa história existe na concepção dela a importância de partilhar. “Creio que tudo que aconteceu serviu, justamente, para eu contar para você, que existe cura!”

O câncer na mama da Cristiane se transformou em vida. Multiplicou sorrisos e a confiança de que a fé é quão importante como a água para saciar a sede.