segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Símbolo da mulher livre

Foto: Raquel Louiz
“Brigam Espanha e Holanda
Pelos direitos do mar

O mar é das gaivotas
Que nele sabem voar

O mar é das gaivotas
E de quem sabe navegar.

Brigam Espanha e Holanda
Pelos direitos do mar

Brigam Espanha e Holanda
Porque não sabem que o mar
É de quem o sabe amar”.
(Leila Diniz)


Hoje a mulher brasileira é “livre”. Pelo menos possui a liberdade de ir e vir. Como ir a clubes, praias e cachoeiras do jeito que bem entender. Usar biquíni se tornou normalíssimo, não é mesmo? Essa atitude, na década de 1970 não era bem vista. Na época, Leila Diniz, grávida de 8 meses resolveu expor a barriga e se deixou ser fotografada. Ato de coragem, que a fez ficar eternizada. Posar para uma foto de biquíni? Para mim que nasci na década de 1980 e para tantas outras mulheres parece até não ter tanta relevância assim. Mas, ao assistir o filme “Leila para sempre Diniz” direção de Mariza Leão e Sergio Rezende percebi com nitidez, o quanto essa atriz revolucionou o mundo feminino brasileiro.

Leila Diniz ficou conhecida como a mulher defensora do amor livre e do prazer sexual. Em uma de suas frases disse: “você pode muito amar uma pessoa e ir para a cama com outra!” Com sua força rompeu conceitos e tabus então existentes. Nascida em Niterói no ano de 1945, muito jovem formou-se no magistério e foi ser professora primária num subúrbio carioca.

Antes de ingressar no cinema, Leila já tinha feito teatro e telenovelas. Casou 2 vezes, primeiro com o cineasta Domingos de Oliveira e depois com Ruy Guerra. Sempre foi considerada ousada. Além de ter sido criticada, difamada...

Leila foi mesmo um furacão! Sua trajetória pela vida foi bastante curta. Ela morreu num desastre aéreo no dia 14 de junho de 1972, quando voltava de uma viagem a Austrália aos 27 anos de idade, deixando uma filhinha de nome Janaina, que foi criada pelo casal Chico Buarque de Holanda e Marieta Severo seus maiores amigos.

Janaína está grávida. Por orientação médica não pode vir a Goiânia receber o troféu Icumam, na abertura do Goiânia Mostra Curtas. Porém, a irmã de Leila Diniz veio representando a família. Durante a exibição do curta, “Leila para sempre Diniz” vi a irmã na plateia do Teatro Goiânia enxugando as lágrimas que insistiam em cair.A cena me fez fazer certas reflexões.... A principal delas: como a família deve ter sofrido preconceitos. Quer dizer a própria Leila Diniz, como ela deve ter sofrido na pele o machismo exacerbado de décadas atrás. Hoje, fica não só a homenagem. Muito mais, fica a lembrança do símbolo da mulher livre.



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