sábado, 28 de janeiro de 2017

Congadeira arretada

Valéria da Congada é goianiense,casada,mãe de duas filhas... Nesta descrição o mais imprescindível é dizer que ela vem de uma família muito rica em cultura popular e de matriz africana. Os pais dela ensinaram a dança dos pretos: a congada e os preceitos religiosos da umbanda e do candomblé. “Sou yalorisa do Ile Asé Vovó Ti Yemonjá - Nação omoloko”. Orgulha-se de fazer parte da única congada de Goiânia, com terreiro. Estudante de pedagogia, também é filha de embaixador de folia de São Sebastião e de Santos Reis.

Em 08 de maio de 1971, nascia à congada “Irmandade 13 de maio”, desde sempre Valéria arregaça as mangas e faz de um tudo para manter essa tradição viva. “Tudo é feito artesanalmente, como: os instrumentos que são os tambores ou as caixas de congo, adereços dos cangadeiros, que chamamos de capacetes. Além disso, tem as bandeirinhas, os chapéus, as cartolas - todos confeccionados a mão, do bordado aos enfeites”, explica.

Todo o conhecimento também é repassado para as novas gerações. “Busco trazer igualdade ao nosso povo sem sair das raízes, pois aqui também temos mulheres na caixa ou tambores”. Valéria da Congada só foi ter reconhecimento moral e voz em 2002, através do Encontro Afro Goiano, na cidade de Goiás. Depois disso, os apoios passaram a surgir.

“Eu sigo o exemplo do meu pai, Onofre Costa do Santos. Ele fundou 5 capitães na nossa irmandade e que hoje estão em outros grupos de Congadas de Goiânia. Todos louvando Nossa Senhora do Rosário”. Ela acredita que tudo que fez e faz ainda é muito pouco e é justamente a confiança do povo tanto das congadas, quanto da religião, que a faz mais corajosa para seguir sua missão. “Entendo que o espaço é pra todos, não tem essa de que o branco é quem manda. Aqui mandamos todos nós. Eu coloquei em mim mesma que a minha cor não me enfraquece, ela só me ajuda e muito”, diz emocionada e quem não fica!?

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